O livro "O fazedor de velhos" é uma narrativa, aparentemente, simples de se compreender; carregada de metáforas e, por isso mesmo, maravilhosa. Faz-nos pensar acerca do envelhecer. Envelhecer? O que é isso? Palavra formada por derivação parassintética, ou seja, exige, para sua constituição, os dois afixos simultaneamente; cujo sentido é tornar-se velho, perder o viço, o frescor; e que é geralmente empregada com uma carga pejorativa. Contudo, ao ler a obra, tomamos consciência que, ao envelhecer, o viço aumenta, porque nos tornamos sábios. E quem é o grande fazedor de nossa velhice, ou seja, de nós mesmos?A princípio, durante a narrativa, imaginei que fossem as nossas leituras, que, na verdade, são as experiências de leituras do mundo que fazemos. Na palavra fazedor, o sufixo que compõe a palavra designa o agente, um ser de ação sobre um verbo, o nosso fazedor de velhos. E fazemos toda a leitura do texto no intuito de descobrir quem é o grande sábio do mundo, que nos torna velhos e melhores. E nem percebemos que é nele que reside a nossa vida, duram as nossas experiências. Tem gente que vive presa nele para resgatar o passado, outras pessoas sentem-se sufocadas por ele na tentativa de encontrar o futuro. Às vezes, nos esquecemos que ele é a própria duração de nossas vidas.
Indico a leitura não somente aos que estão se tornando velhos, cheios de viços, assim iguais a mim, mas também aos jovens, que também estão, na mesma medida, tornando-se velhos e sofrendo os efeitos do grande fazedor e, muitas vezes, lastimando as angústias da vida. Aos primeiros para que eles compreendam a beleza do envelhecer, o quanto o TEMPO nos faz bem, porque nos fortalece e nos engrandece, tornando-nos mais prudentes. Aos últimos para que eles possam reconhecer no amadurecimento uma beleza que eles enxergam somente no vigor da juventude.
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