domingo, 12 de novembro de 2017

São Francisco: o protetor dos animais...

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Tautologia

                       Encontrar Deus é divino. 
         
     
            J. G. Rosa entenderia essa tautologia.

A poesia divina

                       Deus é Poesia!!!!
                                                                                                                                                Por Rosa Amélia
A poesia é a expressão de Deus.

Deus é Poesia. É orgasmo permanente diluído na extensão cósmica...

Acordar e reconhecer a poética cósmica é tornar-se Poesia 
Num universo caótico 
E perfeitamente harmonioso. 

Sejamos Poesia...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Santo remédio de Elisa Lucinda

"O coração quis amanhecer quebradiço no canto do quarto.
Não deixei. 
Um céu assim de passarinhos faz coro preu não chorar.
O homem recolheu seus mimos, retirou-me da companhia de seus versos de amor escritos em minha direção e chacoalhou com 
força meu pequeno frasco de certezas, 
e revelou-se o incerto.
Sexta-feira.
Ponho as cartas sobre a mesa,
exponho-me à leitura de mim.
Leio meus ais e suas frustrações.
Enquanto escrevo,
uma lágrima escorre pelo lado esquerdo do rosto
teimosa em mostrar-se a mim,
assim mesmo, como lágrima
em estado de não-alegria.
Enxugo-a, eu quase fria.
Não me comovem as cenas do mal estar da civilização logo pela manhã.
Toma-me a consciência de que tudo que amamos é revestido daquela camada de intenções vindas da nossa antiga fábrica de ilusões,
que não para, nunca para de funcionar noite e dia, dia e noite, o velho galpão.
Estou como uma menina querendo colo, carinho, a certeza do amor dos meus, o ninho.
Cato lembranças de afetos profundos que recebi, faço um emplastro disso, daquela mistura amorosa
e ponho sobre os cortes, sobre os trincados da vidraça do meu coração.
Pronto.
Encantação.
Agora mesmo, pus um versinho bobo de amor sobre a ferida.
Vou esperar cicatrização."
("Santo remédio", Elisa Lucinda)

As vertigens da razão: aula de Franklin Leopoldo.


A aula do professor Franklin Leopoldo e Silva, publicada no Youtube, sob o título As vertigens da razão, apresenta, na verdade, uma analogia entre o pensamento de dois grandes filósofos, os quais, mesmo estando tão separados temporalmente, revelam-se muito semelhantes quanto às ideias, aos fatos políticos e sociais,  as lutas ideológicas pelas quais passaram: Pascal, que viveu no século XVII e KierKegaard, que viveu no século XIX. O professor começa justificando porque se pode associar esses dois grandes pensadores: tanto um quanto o outro entendem que o ser humano não tem condições de alcançar a verdade acerca das coisas e acerca de Deus, porque é insuficiente, pequeno e medíocre diante da grandeza e da perfeição do Universo. Acrescenta que tanto um quanto o outro foram religiosos fortemente ligados à fé cristã. Avança, na reflexão, resumindo o pensamento de Pascal e depois de Kierkegaard.
O primeiro foi contemporâneo de Descartes, viveu sobre a pressão do racionalismo, a partir da ideia de que não havia nada que o pensamento racional não pudesse alcançar.  Perguntas e questões fundamentais acerca do homem e de Deus deviam, nessa perspectiva, ser respondidas de forma racional. Nesse período, construiu-se uma autonomia humana em busca das verdades. Tal autonomia foi questionada por Pascal, uma vez que ele acreditava que alguns mistérios acerca da condição humana eram/são irrespondíveis a partir da racionalidade.
Acreditar que tudo, inclusive o mistério, possa ser respondido pelo viés da razão revela um recuo da razão, que não é tão suficiente assim. Para Pascal, nas palavras do professor Franklin, o homem se constitui de um corpo/matéria e um espírito/alma/essência, os quais constituem a realidade humana e não podem ser explicados pela racionalidade. Essa dualidade humana não pode ser compreendida pela mesma via. Tal fato revela a falibilidade, a insuficiência humana que se manifesta no existir. Sendo Deus perfeito, ele não pode ser alcançado e compreendido pela existência humana, que é limitada, insuficiente, contraditória e complexa. Deus, para Pascal, só pode ser sentido, compreendido, pelo homem, a partir da perspectiva do coração.
O segundo, KierKegaard, foi contemporâneo de Hegel e também foi um pensador, filósofo e religioso. Acreditava que a compreensão do ser humano, em suas questões existenciais, só poderia advir no plano da singularidade. O ser humano, afastado da sua essência, daquilo que o compõe enquanto espírito, não consegue, pela razão, alcançar os conceitos universais acerca da criação e de Deus. O afastamento da essência divina representa uma dificuldade de que o homem compreenda questões fundamentais que o atormentam: a criação, o pecado, o mundo, o ser, o existir. Assim, o homem só pode compreender tais questões pela via particular, a partir do vínculo entre ele e Deus.
KierKegaard, segundo Franklin, acredita também que o abismo existente entre Deus e o homem advém da ideia de pecado, da corrupção humana. Deus se distancia do homem em decorrência de sua condição pecadora, corrupta, devido à sua existência singular e finita. Disso nasce no homem o sentimento de angústia, que é gerado pela indeterminação humana, pois, ao distanciar-se de Deus, o homem perde a sua essência. Nesse sentido, a fé, que é um sentimento ligado ao coração e não à razão, é a forma pela qual o homem tenta compreender as questões fundamentais humanas e busca unir-se ao divino, uma vez que se entende que a lógica racional não pode esclarecer o que compõe o humano. A racionalidade não pode explicar as questões que afligem o homem.
Considerando as ideias do professor Franklin e o título que ele dá à aula, As vertigens da razão, observa-se que, pela escolha da palavra vertigem, que significa, entre outras coisas, “sensação de movimento oscilatório ou giratório do próprio corpo ou do entorno com relação ao corpo”, ele também reconhece que há uma oscilação na  forma de pensar desses dois filósofos, primeiro porque eles destoam de tudo o que prevalece à época enquanto lógica racional na busca do entendimento humano; segundo, porque há uma oscilação na própria construção de suas concepções filosóficas entre o racional e o passional, entre a lógica e o sentimento, entre razão e a fé.
Isso, com certeza, não diminui a grandiosidade desses dois pensadores. Eles, apenas, trouxeram à tona, em séculos diferentes, aquilo que tanto atormenta o homem: a necessidade de compreensão de sua origem, da criação; o entendimento das questões fundamentais humanas, por exemplo, quem somos, para onde vamos, por que aqui estamos. Destaca-se que o professor Franklin expõe de maneira didática, bastante pedagógica, levando o expectador a compreender os pontos de intersecção entre os dois pensadores e, sobretudo, mostrando o quanto estas reflexões ainda estão presentes, mesmo depois de tantas descobertas científicas; mesmo depois de tanto avanço na ciência, o homem ainda não conseguiu compreender Deus, o Universo e as suas angústias existenciais . Será que um dia ele consegue? Compactuo com Pascal e Kiekegaard, o homem é muito limitado para compreender algo tão grandioso quanto é a essência divina e o universo. Ele não consegue compreender a si mesmo. Imagina Deus que transcende a natureza humana?


sábado, 28 de outubro de 2017

Blaise Pascal: uma análise


https://www.youtube.com/watch?v=4mQ-vkNAktU (consultado em 11/08/2017)

O filme Blaise Pascal, produzido por Russollini, como o nome próprio indica, remonta a vida do grande pensador Pascal, que viveu no século VXII ainda sob forte influência do poder religioso e das ideologias cristãs. Assim, o filme, que é de época, tem um caráter histórico muito forte, porque revela as ideologias, a cultura de uma sociedade.
Pascal foi um grande pensador, mesmo preso aos ideais cristãos, buscava por meio da razão compreender o mundo, a fé e Deus. Ele teve grande influência no desenvolvimento da ciência no referido século, sobretudo na matemática, área em que ele foi o percussor. A criação de máquinas de calcular deve . O filme revela o quanto ele foi importante para o início e o desenvolvimento das máquinas de calcular. Talvez Pascal tenha sido o precursor de toda essa engenharia moderna que realiza cálculos artificialmente. Ainda naquela época, mesmo ainda sob as remanescentes ideias renascentistas, a partir das quais o homem podia lograr algum êxito sobre os dogmas religiosos, acreditava-se em bruxarias, na força do diabo como algo terreno e aterrorizador, que capitulava pessoas e as levava a serem vingativas e do mal.
Diante da religião, Pascal, mesmo sendo um fiel seguidor das ideias de Cristo, apresenta uma conduta questionadora. Põe em cheque a sabedoria daqueles que são considerados iluminados e indaga por que razão Deus, autor do universo, cega alguns e ilumina outros. Estes nunca o alcançarão como verdade, uma vez que são pretensiosos e esquecem que a verdade “é uma coisa viva que se conhece e se cultiva com a razão e com o coração”. Neste sentido, fica evidente a perspectiva filosófica de Pascal, que reconhece a ambiguidade humana: o pensar e o sentir.
Nas palavras do pensador, ele desconfia “de todas as certezas dos sábios”. Afirma que Deus, enquanto verdade a ser conhecida, está fora do alcance do homem devido à mediocridade humana. A produção da ciência por meio de experimentos não diminui a mediocridade humana diante dos olhos de Deus. A ciência tem dois extremos que se tocam: a ignorância, pura e natural; e o conhecimento que, à medida que é construído, leva o homem a entender que nada sabe e não pode saber, a se reconhecer ignorante. Entre esses dois polos, há aqueles que, envernizados de sabedoria, se julgam sábios, julgam mal e nada sabem.
Pascal faz tais afirmações imbuído pelo espírito científico e na tentativa de provar, experimentalmente, a existência do vácuo, no que é bem-sucedido, mas não parece ter boa aceitação diante do clero e dos pensadores da época. Por associação à teoria do vácuo, ele elabora tais ideias acerca dos homens ignorantes naturais, os sábios que reconhecem a própria ignorância e os intermediários, aqueles que julgam conhecedores de todas as coisas. Para Pascal, não se deve nunca emitir um juízo definitivo, acerca de uma negação e de uma afirmação, caso uma delas não tenha sido verificada. Observa-se nessa reflexão uma premissa da epistemologia moderna.
No discurso de Pascal, fica claro o seu descontentamento com o excesso de novidade aceita pelos teólogos e com a recusa das poucas ideias aparentemente coerentes que aparecem no campo da física, da matemática e da química e, sobretudo, com a condenação dos propositores destas últimas.
Observa-se, no discurso de Pascal, o conflito barroco típico dos homens do século XVII: a tentativa de compreender o mundo e a verdade, a compreensão da infinitude do universo e de Deus e a finitude do homem e de suas formas de conhecer. Logo, se o mundo de revela infinito, o que parece, na perspectiva pascalina, é que não se pode nunca alcançar o conhecimento em sua totalidade, Deus e a verdade são inatingíveis porque são infinitos e a razão humana, sento finita, não tem condições de alcançar aquilo que é maior que ela.
O filme parece ser bem fiel tanto à cultura de época quanto à vida do pensador Pascal, além de revelar de forma bem sucinta e elaborada a concepção filosófica que compõe o pensamento deste pensador: "O homem só se torna grande quando se reconhece miserável". Monumental foi Blaise Pascal.





sábado, 16 de setembro de 2017

Chora, coração... chora...

O meu coração chora baixinho... 
Chora, coração... 
Chora sozinho...

O meu coração chora baixinho... 
Chora, coração...
Chora pasminho... 

O meu coração chora baixinho...
Chora, coração... 
Chora mansinho... 

O meu coração chora baixinho...
Chora, coração...
Chora passarinho...

Uma hora a dor vai passar... 
E o coração volta a voar... 
Batendo as asas
E nunca mais em qualquer ninho pousar...